|
|
FRENCH TV 8 "PARDON OUR FRENCH!"
Como usual para o grupo, neste disco
predominam os elementos de jazz-rock, prog sinfônico e vanguarda, junto
com um pouco de bom humor. Classificar o French TV através daquelas
usuais subclassificações do progressivo é sempre um trabalho
complicado, ou impossível, mas a presença da estética progressiva é
clara. Nos primeiros discos, o grupo pode pecar por uma ou outra faixa
pouco inspirada, mas desde o Violence of Amateurs o French TV tem
lançado álbuns bem consistentes e originais.
Pardon our French se divide em 5 faixas:
Everything works in Mexico, Senkala dan Niskala, The "Pardon our
French" Medley, Tears of a Velvet Clown e When the Ruff Tuff Creampuff
Take Over. Há uma simetria na disposição das faixas: a primeira e a
quinta são as mais calcadas no jazz-rock, a segunda e a quarta são as
mais de vanguarda, e a terceira é a usual faixa cover do disco.
Detalhamento das faixas Os discos do French TV
freqüentemente contêm algum cover, desta vez foi feito um "medley" de
várias músicas de grupos progressivos e franceses da década de 70.
Foram usados trechos de músicas dos seguintes grupos: Ange, Pulsar,
Shylock, Carpe Diem, Atoll e Etron Fou Leloublan (um curto trecho para
finalizar). Esta é a única faixa completamente sinfônica e a única
cantada.
A segunda e a quarta faixas despejam no
ouvinte uma insana diversidade de climas, ritmos, melodias e timbres.
Desse caos emergem ótimas músicas de evolução rápida e completamente
inusitada. Senkala dan Niskala, a mais rápida das duas, composta por
Chris Smith, começa com tablas tocando um tema indiano e termina em um
frenético fusion à Al Di Meola. Tears of a Velvet Clown, composta por
Warren Dale, também passa pelos mais diversos temas, mas se centra em
bem humorados e elaborados temas circenses. Nota: ambas as faixas
lembram o Insurrection do Trap, do qual participaram Warren Dale e
Chris Smith.
A primeira e a quinta faixas, compostas pelos
quatro atuais membros do French TV, estão mais próximas de alguns dos
trabalhos anteriores do grupo. Há nessas uma inclinação constante para
um jazz-rock com toques "canterburianos", junto de leve pistas de prog
sinfônico.
Observações finais
Por algum motivo, o Pardon our French tem um
som um pouco mais abafado que os dois últimos lançamentos, lembrando
mais a qualidade de gravação do quarto ou quinto discos. De certa forma
isto o deixa mais parecido com a sonoridade da década de setenta. Seja
como for, Pardon our French está entre as mais recomendadas obras do
French TV, muitos fãs de progressivo, com os mais diversos gostos,
podem apreciar esta obra.
French TV - The Case Against Art (2001) -----Por Davi
The Case Against Art é o sétimo disco do
French TV, sendo o sexto de estúdio, e um dos mais elogiados trabalhos
do grupo. Este disco difere dos anteriores basicamente por dois
fatores: ser menos jazzístico e mais voltado ao rock, e não possuir
tantas diferenças entre uma música e outra, sendo mais homogêneo. Não
há nenhuma faixa onde predomina o humor, mas, exceto pela Partly the
State (que é um cover do Happy the Man), todas possuem trechos bem
humorados.
As faixas compostas evoluem rapidamente e,
segundo a tradição do grupo, de forma totalmente inusitada; neste
disco, porém, essas inusitadas evoluções são ainda mais trabalhadas. Um
sombrio e sério tema pode rapidamente, e sem parecer meramente colado,
evoluir para um circense, e depois para um elegante e suave, o qual por
fim se torna agressivo e anguloso. Assim, temas que a princípio seriam
antagônicos se unem e se sucedem com impressionante naturalidade. Temos
aqui músicas muito elaboradas e diversificadas, inúmeras influências
podem ser apontadas, mas nenhuma em particular é uma descrição
satisfatória.
O cover da Partly the State se encaixa
perfeitamente no disco, embora se diferencie do resto especialmente
pelos vocais e por ser mais melódica. É uma ótima música no estilo
Yes/Gentle Giant que contribui muito para a totalidade da obra.
Mais uma vez houve grandes modificações na
formação do grupo, mas a competência técnica é indiscutível, se
encontrando no mesmo alto ndvel do predecessor disco do grupo. Fora o
sempre presente e grande baixista Mike Sary, cujo estilo é bem
característico, encontram-se alguns notórios nomes, como: Cliff Fortney
do clássico grupo de prog Happy the Man, Shawn Persinger do Boud Deun
(excepcional grupo de fusion), além de Chris Smith e Warren Dale do
Trap (ótimo grupo de RIO). Outros membros, como Dean Zigoris e Greg
Acker (ambos presentes na formação anterior), também merecem destaque
pela competência técnica. Vale ressaltar que este é um disco com uma
grande variedade de timbres e alguns membros são competentes em
diversos instrumentos.
Este é mais um ãtimo disco que se enquadra na
classificação "French TV". Seus trechos de humor não são tão inspirados
quanto os do Violence of Amateurs, mas as composições são ainda mais
elaboradas. Imperdível.
----Davi, SOUNDCHASER -19/06/03.
FRENCH TV: The Violence of Amateurs (1999)
______________________________________________________________
Às vezes vale a pena esperar. Às vezes vale a pena deixá-los
esforçarem-se, só mais um pouco, mais um bocadinho, e pode ser que
cheguem lá. Não convém dar-lhes ilusões antes de lá chegarem. E como é
que eles se sustentam até lá chegarem, é matéria que já nos escapa. Mas
como até quem lá chega tem muitas vezes que continuar a comer papas de
milho ao jantar, terá que haver outro tipo de recompensa que nos
transcende.
Para estes moços, que na verdade é um e venham os mais cinco que
estiverem na cercania, haverá certamente outra recompensa que no íntimo
reclame. Porque andar com a carrinha com os pneus em baixo para fazer
um gig
num bar perdido no Texas e desesperar para marcar concertos com
promotores indolentes, é só para os dedicados que se auto-sustêm. Ou
seja, é verdade, Mike Sary, baixista e senhor French TV himself,
chegou lá, provavelmente demorou seis discos a fazê-lo, e não lhe
adiantou de nada. Nós, oportunistas com sentido de risco assisado,
atiramo-nos ao sexto quase de cabeça, e ficamos a ganhar. O risco era
precisamente o opus 5 do cavalheiro, que francamente nunca por
nunca prometia este salto qualitativo (tanto o não prometia que
cometemos o abuso de presumir que o que está para trás também não seja
relevante – mas podemos estar errados, e deve-se assumir essa
possibilidade). Algo se deve ter passado, e só Sary pode dizer o quê.
Intestinal Fortitude (o tal 5) não aquecia, exasperava, em digressões
instrumentais algo insensatas (com vocalizações ainda piores), sem
grande sentido de integração composicional e tematizações trôpegas, com
guinadas gratuitas cuja intenção lúdica se quedava apenas annoying, e
claro, com condições de produção a condizer, como aqueles
sintetizadores que deviam estar no caixote de lixo da história e do
beco. Nesse sentido, o título do brilhante opus 6, “The Violence of
Amateurs” até cairía bem ao opus 5, se o seu título “Intestinal
Fortitude” não fosse já interpretável como demasiado gráfico quanto ao
seu conteúdo (nem nós íamos tão longe... que artista tão auto-crítico é
Sary...)
Como, mas como é que passa para The Violence of Amateurs é mistério que
só lhe fica bem. E como é que susteve “carreira” que lhe permitisse
chegar ao sexto disco é empreendedorismo que consegue ser quase
dignificante dos fracos resultados que (eventualmente) até aí produziu.
Factor (positivo) estranho para quem aborde à primeira distraída
audição esta música, Sary é um ávido conhecedor e coleccionador de
progressivo. Basta dizermos que a matriz instrumental do álbum e a sua
solidez composicional e improvisativa conseguiram que só quando a dado
passo se comete o give away
de juntar uns acordes de sintetizador já um bocado passado pelo meio é
que os censores do “eh pá, isto é progressivo” a partir do conhecimento
básico (no mau sentido) dos seus clichés se apercebem do logro.
Progressivo, smchogressivo, isto é música de altíssimo gabarito. A
agilidade das cambiantes rítmicas e temáticas tornou-se de um
organicismo impecável. A dinâmica improvisativa desenvolve-se airosa
balizada pelas irrepreensíveis, mutantes e estimulantes estruturas
composicionais. A controlada diversidade de registos torna-o imune aos
clássicos resmoneios “onde é que isto vai parar?” e “olhó solo balofo”.
Num álbum que, se quisermos classificar “progressivamente”, é marcado por dinâmicas vagamente canterburianas e vagamente RIO,
a conciliação das duas resulta brilhante e altamente produtiva para os
eventuais excessos ou fechamentos de cada uma isoladamente (se bem que
tenham sido ou sejam das correntes mais produtivas e estimulantes do
género). A parte RIO é a mais devedora do sentido lúdico da
família dos agrupamentos de Lars Hollmer. E é curioso que o único ponto
fraco do disco seja aquele onde fazem a vénia directa ao mestre, com
uma cover de Joosan Lost/The Fate dos Zamla Mammas Manna, que
francamente podia ter economizado 10 minutos de estética noise ou free
não muito conseguida (felizmente está no final, para não assustar
audições iniciáticas). Mas a inspiração indirecta faz maravilhas, agora
que o lúdico e o circense se incorporam em matriz de gestão assisada
evitando o grotesco e o gratuito dessas expedições. A veia canterburiana
surge pela mesma sensatez controlada, e dando asas à imaginação na
melhor veia da corrente que era não o descambar em solos meio FM, mas o
incorporar a dinâmica instrumental naquela jazzy quirkyness temática (de perfeita imbricação rítmica, harmónica e melódica) que fazia a surpresa e frescura de Canterbury no seu melhor. Neste caso, quirkyness
(é que não há tradução...) levada até territórios extra-musicais, com
as incursões literárias de Sary nos livretes dos CD’s a pintar retratos
sarcásticos das margens do real musical e político, fazendo uso
sarcástico da sua condição de outsider de qualquer circunscrição.
A primeira faixa, parece quase uma provocação, ao pegar nos fetiches
sonoros centrais mais circenses, quase a relembrar o esforço anterior
dos French TV, e em 4 minutos condensá-los e fazê-los resultar sem
quebras obtusas num exercício bem sucedido de musical teasing. Para que não restem dúvidas, Zappa também passou por aqui.
O humor, aliás, passa muito por aqui, mas como atitude intrínseca e
escorreita, quase de bonomia, sem puxar pavlovianamente pela coisa, em
inúmeros fragmentos, como a marcha inicial do segundo tema, espécie de
Ponte sobre o Rio Kwai de exército prestes a descambar (e descambará)
ao efeito de desbunde das brocas aspiradas na caserna. Ao que se segue
inspirado e sincopado tema (aqueles sopros no ponto groovy) que dá o tom da classe deste disco que consegue não se levar a sério de forma seriamente competente.
Todo o álbum, e cada faixa, incorpora um caleidoscópio de inspirações
sem esfregá-las na cara do auditor, passando pelo discreto sabor latino
do início da quinta faixa, ou o subtil lounge jazz
do início da quarta, sendo que cada uma jamais fica refém dessa
primeira exposição temática (por isso não se assustem com a descrição,
como ela parece requerer). O equilíbrio simbiótico entre temas
constantemente sucedâneos e reconfigurados, irrupções inesperadas em
surpreendente consonância estrutural, uma riqueza textural de
apontamentos instrumentais a subtilmente estruturarem a percepção dos
temas, são virtudes constantes em toda esta digressão, que merece os
nossos encómios, sendo que a prodigiosa vitalidade temática e seus
sabores exquisite conseguem integrar e dinamizar de forma
exemplar as prolixas digressões intrumentais e improvisativas de cada
faixa. E para quem os tenha visto em Gouveia em 2005, apaziguamos as
reservas ao anunciar que a diversidade instrumental do álbum faz
empalidecer a relativa pobreza tímbrica que os French TV em trio
solitário e depauperado trouxeram cá ao vivo, não sinalizando
convenientemente a densidade estrutural das composições.
Mike, podes ter massacrado a (pouca) gente que te tenha ouvido até
então, e principalmente a ti próprio, e podes não ter, agora que o
mereceste, mais gente a dar-te ouvidos. Mas, pela nossa parte, a esta
distância dizemos-te: valeu a pena. Da próxima vez que nos calhar um
disco esforçadamente mau na grafonola, prometemos, a nossa reacção
será: dá-lhes tempo.
© 2006 TCC; phono.com
FRENCH TV--THE VIOLENCE OF AMATEURS
Mike Sary (baixista, líder do grupo e único
integrante original) parece conduzir o grupo rumo a um renascimento de
progressivos obscuros da década de 70, especialmente os relacionados ao
Rock in Opposition (RIO) ou ao Zeuhl, como Magma, Art Zoyd e Zamla
Mammas Manna. Classifico o "The Violence of Amateurs" como uma mistura
de Fusion, Zeuhl e RIO (nesta ordem de ênfase), poderia até dizer que
se trata de um disco de fusion, porém um fusion muito estranho.
Escutando rapidamente pode-se perfeitamente confundir este grupo com um
da década de 70.
O que torna especialmente difícil a
assimilação do French TV é o humor que usam. Este disco pode ser
considerado instrumental, pois há apenas algumas rápidas falas no meio
da música, e essas sempre têm algum humor; como o "Arreina, Arreina,
Arranei, Rou!" (ou alguma coisa assim parecida) que surge na primeira
música. Alguns temas instrumentais também são bem engraçados, como a
marchinha que inicia a segunda faixa. Na maior parte do tempo, porém, a
música é séria e algumas faixas são inteiramente sérias. Quem conseguir
se divertir com seu senso de humor e ainda apreciar suas elaboradas
composições terá entendido o French TV.
"The Kokonino Stomp" parece ter sido escolhida
como a primeira música para mostrar rapidamente, e de uma vez por
todas, que French TV não é um grupo ortodoxo (esta é ótima para
espantar visitas indesejadas). É uma música rápida com vários timbres
diferentes e arranjados de uma forma realmente insana, além de
campainha e apito de trem há um banjo que.... não sei como descrever, é
melhor escutar --- existe um convidado cuja única função é tocar este
banjo durante alguns segundos. Esta não está entre as melhores músicas
do disco, mas é uma ótima abertura.
A segunda, a terceira e a quarta são, por mim,
as melhores faixas do disco, em especial destaco "The Secret Life of
Walter Riddle"; está é a que melhor sintetiza o espírito do French TV:
música elaborada, original, com algumas dissonâncias, um pouco de humor
e, apesar de ser um mero 4/4, soa como algo muito mais "quebrado", é um
dos melhores exemplos que conheço de música complexa no 4/4.
"The Odessa Steps Sequence" e "Mail Order
Quarks" são totalmente sérias, no auge do violino da "Mail Order
Quarks" é difícil estabelecer alguma relação desta música com a
abertura do disco. Ambas são muito boas.
"Tiger Tea" começa anunciando um retorno ao
humor das primeiras faixas, mas torna-se séria logo depois. Boa música,
mas não tem a mesma energia das anteriores.
O disco termina com "Joosan Lost/The Fate" que
é uma versão de uma música do lendário grupo sueco Zamla Mammas Manna.
Esta é uma música bem experimental, muitos efeitos de sintetizares
estão presentes para "sujar" a música. Ela tem boas passagens, mas
poderia ser mais curta --- ao completar 15 minutos já começo a ficar
cansado. Para mim este é o problema mais severo do disco, mesmo assim,
considero esta uma boa música.
Davi, SOUNDCHASER (BRAZIL WEBZINE)
FRENCH TV - Virtue In Futility, Pretentious Dinosaur Records CDOO1 - 55:17
FRENCH TV - Intestinal Fortitude, Pretentious Dinosaur Records - CDOO2 - 71:03
FRENCH TV - Yoo-Hoo!!! Pretentious Dinosaur Records - CDOO3 - 69:41
Os álbuns acima são os três mais recentes do FRENCH TV
(respectivamente de 1994, 1995 e 1997). Os dois primeiros (French TV,
1983 e After A Lengthy Silence, 1986) encontram-se com as edições
originals de vinil esgotadas no momento, sendo que After...foi
reeditado em CD na Italia pela Mellow Records em 1996 (MMP 307) e
acreditamos que ainda esteja disponivel Procedentes da cidade de
Louisville, Kentucky, urn reduto da country music americana, o FRENCH
TV urn projeto cornandado há mais de 15 anos pelo baixista e compositor
Mike Sary. Os outros componentes podem variar a cada album e sempre
existem convidados participando, alérn dos membros fixos(em Intestinal
Fortitude, por exemplo, temos a presença de sax, flauta, violino,
trumpete, etc, além dos clássicos guitarra, baixo, bateria e teclados).
Aliás este album pode ser a meihor opção para os novatos exatamente por
conter o momento mais conhecido do grupo: uma ótima versão de de
Pioneers Over C, clássico do VAN DER GRAAF GENERATOR (de Hammill e
Jackson) que chegou a ser incluída no álbum-tributo Eyewitness. Aliás,
esta música uma das poucas da banda que possui vocal, poiso o grupo
eminentemente instrumental. Born humor (presente nas capas, palavras do
líder e titulos das músicas, como em Hey! Real Executives Jump From The
50th Floor!). Certa critica ao modelo americano (em textos publicados
no encarte) e cruzamento de referências dos anos 70, parecern ser as
marcas do FRENCH TV. Criando singelas melodias e harmonias no mais
tradicional modelo contrapontistico barroco pode passar repentinamente
ao atonalismo tipico de urn HENRY COW. De uma agradável balada pode
pular para urn Hard vanguardista ao modo de urn HAPPY FAMILY e por aí
val... São mornentos sinfônicos ao lado de certas experiências que
podem lembrar a trajetória de grupos como KING CRIMSON e o próprio
VDGG. Dos anos 90, além do citado HF, vale lembrar momentos do DJAM
KARET ou até do AFTER CRYING. Ou seja: tudo feito em alto nivel.
--------FROM METAMUSICA #9
|
|
©2007
| 
|